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    Como citar o ChatGPT no TCC (APA e ABNT) e declarar o uso de IA

    Usar inteligência artificial num trabalho académico deixou de ser tabu — mas passou a ter regras. No Brasil, desde a Portaria CNPq nº 2.664, de 6 de março de 2026, o uso de IA generativa em pesquisa financiada não é proibido, mas tem de ser declarado. Este guia mostra como citar, como declarar, e qual é o risco que realmente reprova trabalho: as referências inventadas.

    Citar em APA 7: existe formato oficial

    A APA publicou orientação própria. A ferramenta é creditada à empresa que a criou, porque, nas palavras da APA, o texto gerado "não é recuperável por outros leitores" e "não há uma pessoa a comunicar".

    Referência:

    OpenAI. (2023). ChatGPT (Mar 14 version) [Large language model]. https://chat.openai.com/chat

    No texto: (OpenAI, 2023) ou OpenAI (2023).

    Para outras ferramentas, o autor é a empresa: Google para o Gemini, Anthropic para o Claude.

    A APA pede ainda duas coisas que quase toda gente ignora:

    1. Descrever o uso na secção de Método — qual foi o prompt e que parte do texto gerado foi usada.
    2. Colocar respostas longas em apêndice ou material suplementar, para que o leitor tenha acesso ao texto exato que foi gerado.

    A APA atualizou esta orientação em setembro de 2025, incluindo a possibilidade de referenciar um chat específico através do link partilhável. Antes de entregar, vale abrir o APA Style e confirmar o formato mais recente.

    Citar em ABNT: não existe norma — e quem diz que existe está a inventar

    Sendo direto: a ABNT não publicou nenhuma norma ou nota técnica sobre como citar IA generativa. Não há modelo oficial. Os modelos que circulam em blogs são adaptações feitas por cada autor, e cada um faz a sua.

    A única norma ABNT sobre IA é a NBR ISO/IEC 42001:2024, sobre sistemas de gestão de inteligência artificial nas organizações — não tem nada a ver com citação académica.

    O que fazer, então, num trabalho em ABNT:

    • Pergunte ao seu orientador ou consulte o manual do seu curso. Muitas instituições brasileiras já criaram as suas próprias regras, e é a regra da instituição que conta na hora da avaliação.
    • Declare o uso numa nota de rodapé ou numa secção de metodologia, dizendo qual ferramenta, que versão e para quê. É o que a Biblioteca do IPH/UFRGS recomenda, por exemplo.
    • Se precisar de uma referência, aplique a lógica da NBR 6023 para documento eletrónico e seja transparente: autor (a empresa), título (a ferramenta e a versão), data, e link. Deixe claro no texto que se trata de conteúdo gerado.

    Declarar o uso: o que dizem as regras que valem

    CNPq (Brasil) — Portaria nº 2.664/2026. O uso de IA generativa "deve ser declarado, qualquer que seja o tipo de IAG e a fase do desenvolvimento da pesquisa, especificando a ferramenta utilizada e a finalidade". Proíbe "a submissão de conteúdo gerado por IAG como se fosse de autoria humana". E é claro quanto à responsabilidade: os autores são "integralmente responsáveis pelo conteúdo final, inclusive por eventuais plágios ou imprecisões geradas pela ferramenta utilizada".

    COPE (Committee on Publication Ethics). Ferramentas de IA não podem ser listadas como autores, porque não podem assumir responsabilidade pelo trabalho. Quem usa IA na escrita tem de ser transparente sobre como a usou.

    Elsevier, Nature e a maioria das revistas. Mesma linha: IA não é autor, o uso substantivo declara-se numa secção própria — normalmente intitulada "Declaração de uso de IA e tecnologias assistidas por IA" — e correções básicas de gramática e ortografia não precisam de declaração.

    Modelo de declaração que você pode copiar

    Declaração de uso de inteligência artificial Durante a preparação deste trabalho, o autor utilizou [nome da ferramenta e versão, ex.: ChatGPT, GPT-5] para [finalidade, ex.: revisar a redação da introdução e sugerir estrutura de argumento]. Após utilizar a ferramenta, o autor revisou e editou o conteúdo conforme necessário e assume total responsabilidade pelo conteúdo da publicação.

    Coloque-a no fim do trabalho, antes das referências — ou onde o seu manual mandar.

    O risco real: a IA inventa referências

    Este é o ponto que decide notas. Não é o estilo do texto — é a bibliografia.

    Os números são conhecidos e vêm de estudos revistos por pares:

    • Um estudo publicado na Scientific Reports (Walters & Wilder, 2023), com 636 citações analisadas, encontrou 55% de citações fabricadas no GPT-3.5 e 18% no GPT-4. E, entre as citações que existiam mesmo, 43% (GPT-3.5) e 24% (GPT-4) tinham erros substantivos — volume, número, páginas ou data errados.
    • Outro estudo, publicado na Cureus (Bhattacharyya et al., 2023), analisou 115 referências geradas para conteúdo médico: 47% eram fabricadas, 46% eram autênticas mas com dados incorretos, e apenas 7% estavam corretas e exatas.

    Traduzindo: se você pedir a bibliografia a um chatbot e entregá-la sem verificar, a probabilidade de estar a entregar fontes que não existem é altíssima. E, pela regra do CNPq, a responsabilidade é sua — não da ferramenta.

    A regra prática: toda referência tem de passar por um teste antes de entrar no trabalho — abra o DOI. Se o DOI não resolve, ou resolve para outro artigo, a referência não presta. Faça o mesmo com PMID, ISBN e links.

    E os detetores de IA?

    Uma nota necessária, porque gera muita ansiedade: os detetores de texto gerado por IA não são confiáveis, e isso está documentado.

    • A própria OpenAI descontinuou o seu classificador em 20 de julho de 2023 "devido à sua baixa taxa de precisão". Nos testes da empresa, identificava corretamente apenas 26% dos textos de IA e marcava erradamente 9% de textos humanos como IA.
    • Um estudo publicado na revista Patterns (Liang et al., 2023) testou sete detetores e encontrou uma taxa média de falsos positivos de 61% em redações de estudantes que escrevem em inglês como segunda língua — enquanto textos de alunos nativos passavam quase sem erro. Os detetores medem estilo, não origem.

    A conclusão útil para o estudante: não organize o seu trabalho à volta de "não ser apanhado". Organize-o à volta de ser verificável — fontes que existem, DOIs que abrem, uso da IA declarado. É isso que resiste a qualquer verificação, humana ou automática.

    Como o EZScite ajuda aqui

    O problema das referências inventadas resolve-se de uma maneira só: obter os metadados da fonte real, e não de um texto gerado.

    O EZScite é um suplemento gratuito do Word (PC, Mac e Word Online). Você cola o DOI, o link do PubMed, o ISBN ou o arXiv, e ele vai buscar autores, ano, revista, volume e páginas às bases de dados originais — Crossref, PubMed, arXiv, OpenAlex, DOAJ. Se a fonte não existe, não há metadados para trazer: é o seu primeiro alarme. Depois é um clique para inserir a citação e outro para gerar a bibliografia inteira, em ABNT, APA 7, Vancouver ou o que o orientador pedir.

    Instale em Suplementos → Obter suplementos → "EZScite" ou em ezscite.com. Grátis, sem cartão.

    Perguntas frequentes

    Posso usar IA para escrever o meu TCC? Depende da regra da sua instituição. Onde é permitido, tem de ser declarado. O que nunca é aceitável é apresentar texto gerado como se fosse seu.

    Preciso declarar se só usei para corrigir gramática? As políticas de revistas como a Elsevier dispensam declaração para correção básica de gramática e ortografia. Para o seu trabalho, siga o manual do curso — e, na dúvida, declare. Declarar nunca reprovou ninguém.

    A IA pode ser coautora do meu artigo? Não. É consenso entre COPE, Elsevier, Nature e as principais editoras: uma ferramenta não pode assumir responsabilidade pelo trabalho, portanto não pode ser autora.

    Leia também: ABNT NBR 10520:2023 — o que mudou nas citações e Como citar site, vídeo do YouTube e post de rede social.

    Quer as referências prontas? Use o gerador de referências ABNT e APA grátis — cole o DOI, o link ou a sua lista.

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